O consumidor da terceira idade: um desafio para as marcas

Professora de Marketing e Atendimento, Amanda Lima fala sobre o mercado de grande potencial para as empresas: o consumidor da terceira idade. 

A população brasileira está envelhecendo a cada dia. Estimativas do IBGE apontam que, em 2060 (que está logo aí), teremos 19 milhões de pessoas acima de 80 anos. Para se ter uma ideia, hoje temos cerca de 3,5 milhões, ou seja, em pouco mais de 40 anos, a população de “bisavós e bisavôs” aumentará cinco vezes. O crescimento da renda e o acesso à saúde são algumas das causas desse envelhecimento populacional.

Por outro lado, a população jovem decresce. Enquanto, na década de 1980, as mulheres brasileiras tinham, em média, quatro filhos cada, hoje têm 1,8. A estimativa é que a taxa de fecundidade não passe de 1,5 em 2030. Pois bem, teremos um país com menos jovens e mais velhos. Mas será que serão realmente velhos?

Certamente teremos mais idosos, mas aqueles velhinhos e velhinhas que habitavam o imaginário e os cartoons não representam mais nosso perfil de envelhecimento. Temos cada vez mais “idosos jovens”, que trabalham, fazem atividade física, namoram, utilizam mídias sociais, moram sozinhos e consomem. Para as marcas, esse consumidor é muito interessante e desafiador.

Grande parte da população idosa (e agora refiro-me ao grande segmento de pessoas acima dos 60 anos) possui renda própria, filhos criados e tempo para investir em lazer, compras, viagens e bem-estar. Esse público constitui um mercado de grande potencial, porém demanda uma atenção diferenciada, exigindo das empresas um olhar atento. Muito desse potencial ainda não foi explorado, simplesmente pela falta de cuidado com as necessidades dessas pessoas.

As ofertas para idosos não precisam ter “terceira idade” no rótulo, e sim na sua concepção. É preciso compreender que atributos esse público valoriza e investir num mix de marketing adequado. Essas pessoas podem estar dispostas a investir em relações duradouras com empresas que oferecem modelos de negócios baseados em simplicidade, acesso fácil a informações, atendimento humano, letras grandes, espaço nas lojas, acessibilidade e outros elementos que fazem a diferença para a “velha guarda”.

Desconfio que as empresas ainda não compreendem totalmente esse público e não estão prontas para explorar todo o potencial de consumo que ele possui. Mas, certamente, quem investir em soluções e comunicações que o atendam adequadamente, terá todos os retornos que um consumidor fiel pode trazer.

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