Desafios das mulheres na carreira pública

Conheça os desafios, conquistas, lutas, inspirações da mulher brasileira na carreira pública e a história de três servidoras

Quando falamos em mulheres na carreira pública muitas são as coisas que vêm à mente. Dentre elas perguntas como: qual o percentual de mulheres que ocupam cargos públicos no Brasil atualmente? Existe equidade salarial? Dentre outras.

Pois, neste artigo vamos lhe mostrar:

  • Como está a presença das mulheres na carreira pública
  • Quais são os principais desafios que as mulheres enfrentam
  • E depoimentos de três mulheres que conquistaram isso.

Uma ótima leitura!

Presença das mulheres na carreira pública

Uma coisa que pouca gente sabe é que as mulheres já são a grande maioria quando o assunto é carreira pública. Conforme dados do Atlas do Estado Brasileiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o público feminino representa 59% da mão de obra concursada. Sendo a maioria em quase todas as esferas e poderes. 

Atualmente, apenas no nível federal as mulheres são minoria, e isso devido ao grande número de militares homens, que acabam pesando na balança. Senão, o cenário também seria diferente

Isso é um reflexo de toda a luta feminina por condições melhores e mais igualitárias. E, de todo o esforço, dedicação e horas de estudo que esse público se esmera em ter.

De um público sem direitos e que precisou lutar muito até ser a maioria neste mercado de trabalho, foram longos anos de luta, suor e dedicação incansável de milhares de mulheres deste país. Obviamente, as condições ainda não são as ideais, e a luta ainda não terminou, mas um bom território já foi ganho e isso precisa ser comemorado.

Principais desafios

Mas nem tudo são flores. No nosso país, infelizmente, mesmo na carreira pública, as mulheres ainda recebem salários 25% menores que o dos homens, é o que informa o levantamento feito pela  República.ORG, com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2018.

Você deve estar se perguntando: como isso é possível? Quando a pessoa presta o concurso o valor pago é igual. Contudo, ocorre que homens ainda são privilegiados, em detrimentos de mulheres, com funções gratificadas, que aumentam mais os salários, e, quando ambos os sexos recebem esse tipo de gratificação, a dos homens ainda continua sendo maior.

Infelizmente, essa é uma triste realidade vivida pelas mulheres brasileiras e um dos motivos pelo qual a luta ainda está longe de terminar.

Além disso, as mulheres enfrentam outros problemas na carreira pública, que não são exclusivos só de mulheres concursadas, mas de todas aquelas que trabalham.

O primeiro e pior problema de todos, inadmissível em pleno século XXI é o assédio moral e sexual. Conforme pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) 52% das mulheres já sofreram assédio sexual em seus locais de trabalho.

Ou seja, a objetificação da mulher segue sendo um problema de cunho social e cultural, que vai terminar apenas quando todas as pessoas se derem conta do quanto isso é ofensivo e invasivo. Obviamente, um endurecimento das leis e penas ajuda e muito, mas, a mudança real, está na conscientização e mudança de postura por parte do sexo masculino.

Outro problema, mais difícil de escapar, é a jornada tripla, na qual as mulheres precisam trabalhar, cuidar da casa e dos filhos e estudar. Você que pretende ser uma servidora pública sabe muito bem a quantidade de horas que precisam ser dedicadas aos estudos, e, muitas vezes, não há um auxílio em casa para as tarefas mais básicas por parte dos companheiros, que deveriam dar apoio e dividir o fardo.

Depoimentos de concursadas

Agora que você já sabe como é a presença das mulheres na carreira pública e conhece os desafios, está na hora de ler os relatos de mulheres que lutaram e conquistaram a tão sonhada carreira pública.

Thaise Pedroso

Com 35 anos, Thaise é oficial escrevente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Segundo ela, a prova foi em 2013 e ela entrou na primeira chamada, em 2014.

“​Eu me sinto orgulhosa de ser uma servidora pública. Muita gente, do mesmo nível que eu, não conseguiu passar neste concurso. Além disso, quem tem um concurso público hoje em dia tem tudo, ainda mais na situação que estamos passando (pandemia). Isso faz eu me sentir bem em relação a minha escolha”, relata.

Thaise afirma que a rotina nem sempre é fácil, a quantidade de trabalho é grande, mas não precisar se preocupar se amanhã vai existir ou não a vaga de emprego e o salário no final do mês trazem uma tranquilidade que compensa tudo isso.

Ela ainda relata que entrar não foi algo simples. “​Eu já tinha feito esse concurso antes. Tinha passado em uma colocação ruim, daí fiz de novo, e disse pra mim mesmo que ia fazer e entrar em primeira chamada, e consegui”, destaca. Para isso ela fez um curso de manhã e estudou durante às tardes por seis meses. “Eu estudava, fora as aulas, de seis a oito horas por dia nos cinco primeiros meses, e, no último mês, aumentei essa quantia para 10 horas diárias”, afirma.

“Minha dica para as mulheres que almejam uma carreira pública é não desistir nunca. Porque quando se trata de concurso público não se estuda pra passar, se estuda até passar”, frisa.

Ela ainda afirma que é muito importante não se comparar com outras pessoas e continuar sempre tentando. “Qualquer pessoa que senta e estuda uma hora vai conseguir. Tudo depende do quanto a pessoa se dedica. Muita gente desiste porque não passou em um ou outro, eu fiz 14 até conquistar este e acertei 68 das 80 questões, assim conquistei a minha vaga”.

Roseli Luz Flores

Com 55 anos e já aposentada por um concurso público, Roseli é enfermeira da Prefeitura Municipal de Capela de Santana desde 2012. Além deste, ela trabalhou em outros três locais como concursada.

“Em 1997 entrei no Hospital Municipal Getúlio Vargas, de Estância Velha, como auxiliar de enfermagem. Em 1999 passei como técnica de enfermagem no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e em 2000 como técnica de enfermagem no Hospital de Estância Velha”, local onde Roseli se aposentou como técnica, pouco após ser aprovada como enfermeira em Capela de Santana.

Conforme ela, ser uma mulher que entrou em quatro concursos públicos é “uma conquista, uma luta, a gente trabalha para conseguir algo que vai nos fazer sentirmos seguros”. Ela ainda destaca que em relação a função não houve mudanças da exercida em instituições privadas. “Pacientes serão sempre seres humanos, independente de raça, credo, condição financeira ou qualquer outro fator, sempre darei o meu melhor”, destaca.

Ela ainda conta que para ser aprovada estudou em livros, resolveu questões e prestou muita atenção nas aulas, além da experiência prática que já possuía na função. “Para os concursos de técnico estudei em média duas horas por dia durante dois meses, para cada, já para o de enfermeira, estudei de duas a três horas por dia durante 5 meses, pois queria aumentar minhas chances e garantir a vaga. Acabei passando como primeira colocada”, relata.

A dica que Roseli dá para as mulheres que almejam a carreira pública é estudar muito. “Dê o seu melhor e estude muito. E, depois que for nomeada, tenha muita paciência para lidar com as pessoas, que muitas vezes não vão respeitar o servidor ou funcionário público. Trabalhe com todo o seu comprometimento mesmo assim e escolha uma área que você goste, pois é preciso amar o que você faz para superar tudo e se manter firme na sua função e carreira”, aconselha.

Janaína Andrea Fernandes Backes

Com  40 anos, Janaína é orientadora educacional na Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo. Ela entrou em 2003 como concursada para o magistério, para trabalhar com educação infantil e séries iniciais. Após diversos anos, e tendo estudado muito em paralelo, hoje ela ocupa essa função, a qual conquistou com muito esforço. Antes disso, ela também foi servidora pública do Estado do Rio Grande Sul, desde 2000, tendo conciliado ambos até 2008, quando ficou apenas na Prefeitura de Novo Hamburgo.

“Eu gosto muito de ter essa independência, com a questão da pandemia, enfrentei uma dificuldade que a maior parte das mulheres brasileiras passam, de ter que administrar o trabalho, com as tarefas de casa, com as aulas do filho (de 6 anos)”, relata.

Ela explica que terminou o magistério em 1998, e, “como as escolas infantis particulares pagavam muito pouco, peguei um emprego em meio turno e durante quatro horas por dia comecei a estudar. Foi cerca de um ano até passar neste (da Prefeitura) e no do Estado”, explica. Ela ainda destaca que fez diversos outros concursos neste período até garantir as duas nomeações.

A dica de Janaína para as mulheres que almejam a carreira pública é “tenham primeiro essa vontade (de ser servidora), foco, determinação e não desistam. Às vezes, não é na primeira que você consegue. E, depois que você entra, principalmente no começo, não é tão fácil também. Por isso, persistam, porque, se você se dedicar, terá sucesso no futuro. Hoje, trabalho perto de casa, conheço toda a comunidade e estou realizada no trabalho que eu faço”, destaca.

Agora você conhece três exemplos de mulheres que lutaram, se dedicaram, estudaram e alcançaram o sonho da carreira pública. Então, inspire-se nelas e dedique-se, sem nunca desistir, que você também irá conquistar os seus sonhos. E, se alguém disser que você não é capaz, faça como as milhares de mulheres que conquistaram suas carreiras públicas e mostre que lugar de mulher é onde você quiser, inclusive na carreira pública.

Lembre-se: a Casa do Concurseiro existe para ajudá-la a realizar os seus sonhos e se tornar uma servidora pública. Por isso, conte sempre com a gente. É uma honra fazer parte da história de sucesso de tantas mulheres, que mudaram de vida graças aos seus esforços e aos materiais de qualidade que preparamos especialmente para ajudá-las a alcançar o topo.

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