A montanha russa da nossa aprovação

Nesta semana, meu professor da faculdade marcou uma prova. Lá eu sou discente, mas, no curso preparatório, eu sou docente. O sor é aluno. E o aluno é sor. Parece indeciso, impreciso, às vezes, indecente, mas quem não é aprende nessa vida, né?

De tarde, eu vejo aula. De noite, eu dou aula. Carreira dupla. Cadeira dupla. Mas, nesta semana, meu professor marcou uma prova! Fazia tempo que não me sentia tão inseguro em pegar uma caneta e marcar um “xis” numa das opções. A resposta já está na prova. Só preciso achar. Só.

Pensei nos concurseiros. Eu preciso tirar 7 para ficar na média, entretanto um candidato a cargo público precisa praticamente gabaritar. Meu medo infantil de um teste não pode ser comparado. Desculpa.

Vamos comparar os estudos a uma montanha russa. Começamos com uma expectativa enorme. Ansiosos pela emoção! Nem parece ser tão grande assim, só sobe e desce e vira e sobe e já termina. Óbvio. Aí o cinto aperta. E o controle não é mais nosso. Seguramos firme e sobe. Sobe lentamente. E sobe. E esfria. E sobe lentamente. O silêncio. A solidão. O arrependimento sobe. Estressa estar ali, pois sobe em ritmo lento. Parece que tranca. Parece frágil. E sobe.

Até que estabiliza. Lá de cima, a visão de tudo. A nossa insignificância diante do mundo. A decisão de estudar, a emoção de estudar, o arrependimento de estudar. A reflexão. Instantes só nossos.

Mas aí vem a descida. A queda metafórica de quem se atira na vida em queda livre. Segure firme, levante as mãos, grite e sinta. Não é o cinto que nos segura. É vontade de voar.

Eu quero outro diploma; você, uma vaga pública. A montanha russa é a mesma. O começo, o meio e o fim. Um “xis” nas nossas escolhas. O sor olha para o aluno e ensina “quem não aprende com essa vida, né?”

Boa prova para nós!

artigo casa do concurseiro

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