Mulheres na Segurança Pública

A presença feminina nas forças de segurança é tema que sempre encontra destaque. Seja na mídia, nas redes digitais, nas rodas de conversa, o tema quase sempre costuma despertar a curiosidade e o interesse das pessoas. 

Apesar da presença cada vez mais crescente do número de mulheres policiais, ainda podemos considerar bastante recente a presença feminina nos quadros funcionais das instituições policiais. No caso do estado do Rio Grande do Sul – a Polícia Civil gaúcha foi pioneira no estado em permitir o ingresso de mulheres na carreira – foi no ano de 1970, quando a primeira turma feminina iniciou o curso de formação na Academia de Polícia. O país ainda vivia a ditadura militar e os movimentos sociais exigiam que a revista pessoal em mulheres não fosse feita por homens. Entretanto, apesar do recente ingresso, podemos afirmar que essas corajosas e precursoras policiais da década de setenta fizeram história ao abrir caminho para que hoje as mulheres possam desempenhar as mais diversas funções na polícia civil gaúcha – que atualmente, em 180 anos de história, pela primeira vez tem uma mulher ocupando o cargo máximo da instituição. 

Uma das perguntas mais frequentes que recebo é sobre a situação de machismo no desempenho da profissão. Infelizmente essa ainda é uma realidade, mas que não possui relação direta com as forças policiais: trata-se de uma realidade da sociedade como um todo, o que acaba refletindo nos mais diversos âmbitos de atuação, tanto na esfera pública e, possivelmente, de forma ainda mais latente na iniciativa privada. Competência, dedicação e esforço pessoal são algumas das características que mais nos remetem às mulheres policiais. Mas é sempre importante ter em mente de que não se trata aqui de uma guerra de gêneros, homens e mulheres possuem características próprias e que merecem ser valorizadas em suas peculiaridades.  

Quando falamos em igualdade entre homens e mulheres, o que efetivamente buscamos é igualdade de oportunidades e o reconhecimento pelo papel que desempenhamos como profissionais. Passamos pelo mesmo rigoroso processo do concurso público, pelas provas teóricas e físicas, por toda a intensidade de um curso de formação e pela continuada especialização nos mais diversos âmbitos de atuação que a carreira permite. Seja atuando na parte operacional, sendo linha de frente no combate à criminalidade, seja na esfera administrativa, com o cuidado e o zelo para que a atividade fim possa transcorrer da melhor forma possível, seja exercendo o lema “ensinando a servir e proteger” através da docência na Academia de Polícia.  

O que de fato buscamos é que possamos exercer com excelência nossas atribuições funcionais sem que haja a necessidade de termos que provar algo a mais pelo simples fato de sermos mulheres. E que possamos ser respeitadas em nossos múltiplos papéis: quando você olhar uma mulher policial exercendo sua função, lembra que por trás daquela farda existe também uma mãe, uma filha, uma esposa, uma irmã, que através da sua missão policial busca construir, todos os dias, uma sociedade mais justa e mais fraterna para todos. 

Raquel Peruzzo Jardim é especialista em Direito, professora da Casa, policial civil no estado do Rio Grande do Sul e docente na Academia de Polícia. 

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