A universidade zuckerberg e as atualidades para concursos públicos

A atual crise brasileira (de origem política, institucional, financeira, social…) colocou a política como o assunto mais “badalado” do momento, num permanente trending topics. Aquelas conversas informais (ditas conversas de boteco, de táxi, etc.), que sempre tratavam do futebol, da previsão do tempo, hoje são invariavelmente sobre a situação política nacional, e até mesmo internacional. Assim, o Facebook se rendeu, e a Universidade Zuckerberg não para de “emitir diplomas” que medem graus de sucesso (aprovação) e conhecimento em likes. Quantos mais likes, mais os usuários pressupõem conhecer e estarem certos sobre a política e o momento nacional, mais a opinião pessoal se faz conhecimento de alguma realidade.

Entretanto, esse fato não deve ser encarado como uma crítica malcomportada a essas tendências. Bem pelo contrário. É uma ode a esse momento nacional em que a política superou o dito popular “política não se discute” e passou a ser o assunto mais debatido do momento, o que compreendo como um avanço significativo para estimular um debate político democrático e qualificado para um futuro próximo. Afinal, é melhor debater sobre os problemas do que os empurrar para baixo do tapete como se não existissem. Sou extremamente otimista nesse sentido.

Mas, para quem está focado ou quer se focar em concursos públicos e, especificamente, nas provas de Atualidades, a Universidade Zuckerberg pode ser uma faca de dois (le)gumes, pois transitam pela rede social matérias de tendências diversas, de fonte duvidosa, opiniões pouco balizadas, piadas jocosas transformadas por desconhecimento em fatos, etc. Além disso, também circulam informações de grande valor e lastreadas de confiabilidade e opiniões fundamentadas. Está tudo na rede e nada a escapa. Ou seja, é necessário critério e cuidado ao reter informações e debates oriundos dessa Universidade, como qualquer ensino, em qualquer Universidade. Afinal, o conhecimento é processo em construção, o que deriva de uma inter-relação entre o objeto que se quer conhecer e o conhecedor. O que isso significa? Não há conhecimento pronto e passivo. O conhecimento não está lá pronto, mas deve ser construído com critério, e isso dá trabalho.

Então, como fazer da Universidade Zuckerberg uma fonte de estudos para Atualidades? Isso é possível? Sim. Acredito nessa possibilidade de fazer de informações das redes sociais de grande valia para a construção de um conhecimento orientado para provas de Atualidades em Concursos Públicos. Mas isso requer critério e foco de estudo.

Primeiramente, é importante salientar que, nas redes, circulam matérias de veículos de imprensa de grande circulação e relevância e que orientam as provas de concursos em Atualidades. Portanto, busque sempre a grande mídia e verifique a veracidade da fonte. Grandes portais de informação nutrem páginas nas redes sociais que valem a pena seguir para alimentar seu feed de notícias. Também é importante saber sobre o que ler. Essa orientação deriva de grandes debates nacionais que circulam também na grande mídia. Se tiver dificuldades para identificar esses grandes debates, na própria rede você encontrará professores especializados em provas de concursos de Atualidades que, via de regra, acabam compartilhando matérias orientadoras para o estudo. Outra forma interessante é aderir a grandes grupos de estudo através das redes sociais, pois a troca de experiências pode ajudar na orientação de quais professores seguir e de qual informação é precisa e de confiança.

Apesar dessas potencialidades, que só se realizam com foco e critério, as redes também podem desorientar os estudos. Principalmente, através de notícias falsas, compartilhamento de vídeos duvidosos, teorias de conspiração e posicionamentos políticos pessoais histriônicos e pouco balizados numa literatura de fundamentação do conhecimento político e social da realidade.

Como costumo ressaltar em aula, as provas de Atualidades não estão nem aí para o que você pensa sobre a política, nem aí para seus posicionamentos individuais frente a temas controversos, elas buscam auferir se você conhece e mapeia os grandes debates nacionais e internacionais, se conhece os prós e contras e as fundamentações de diferentes temas. Afinal, colocar Atualidades em provas de concursos públicos indica muito sobre o tipo de candidato que o certame busca. Não somente “alienígenas” especialistas em conhecimentos específicos, mas também “terráqueos” que se preocupam em conhecer a realidade circundante e a sociedade na qual se inserem – conhecimento fundamental para humanizar o serviço público. Seja bem-vinda, Universidade Zuckerberg.

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